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Perimenopausa: O que muda na saúde e na pele da mulher!

Perimenopausa: O que muda na saúde e na pele da mulher!
 A perimenopausa é uma fase de transição hormonal que muitas vezes começa anos antes da menopausa, e pode trazer mudanças que nem sempre são reconhecidas ou discutidas abertamente, desde alterações no humor até sinais visíveis na pele e no bem‑estar geral.

Para nos ajudar a compreender melhor o que acontece neste período e a responder às dúvidas que tantas mulheres têm, conversámos com a Dra. Rita Maia, médica de Medicina Geral e Familiar com formação avançada em menopausa pela British Menopause Society e ampla experiência no acompanhamento de mulheres nesta etapa da vida.

1. O que é exatamente a perimenopausa e quando costuma surgir?
A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa, caracterizado por alterações progressivas nos ciclos menstruais, nos níveis hormonais e em vários aspectos clínicos. 
Surge habitualmente entre os 40 e os 50 anos, com uma duração média de quatro a oito anos, embora possa variar de mulher para mulher.
Durante esta fase, a ovulação torna-se irregular e os níveis de estradiol oscilam de forma imprevisível, existindo períodos de excesso e de défice, mas com tendência geral de declínio à medida que a menopausa se aproxima. Ao mesmo tempo, a progesterona diminui devido a ciclos anovulatórios mais frequentes e a hormona folículo estimulante (FSH) tende a aumentar, numa tentativa do organismo compensar a redução da função ovárica.
2. Quais são os primeiros sinais que muitas mulheres ignoram?
Os sinais iniciais da perimenopausa são muitas vezes subtis e fáceis de confundir com efeitos do stress, da idade ou de alterações do estilo de vida. Entre estes, incluem-se irregularidade nos ciclos menstruais, afrontamentos, alterações do sono, mudanças de humor e fadiga inexplicável. Também podem surgir alterações na pele e no cabelo que passam despercebidas, como secura, maior fragilidade cutânea ou cabelo mais fino. Muitas mulheres só reconhecem estes sinais quando se tornam mais persistentes ou começam a interferir com a vida diária.

3. O que está a acontecer hormonalmente no corpo nesta fase?

Durante a perimenopausa, o equilíbrio hormonal sofre alterações significativas. Os níveis de estradiol tornam-se imprevisíveis, com picos e quedas que afetam a regulação de muitas funções corporais, incluindo o humor, o sono e o metabolismo da pele. A progesterona, que normalmente prepara o corpo para a ovulação e mantém ciclos regulares, diminui devido a ciclos sem ovulação. A FSH aumenta para tentar estimular os ovários, enquanto a LH também apresenta flutuações. Estas alterações hormonais explicam grande parte dos sintomas típicos da perimenopausa, desde afrontamentos a alterações emocionais e físicas.

4. Que impacto tem a perimenopausa na pele?

O declínio do estrogénio durante a perimenopausa tem vários efeitos na pele. 
O estrogénio influencia diretamente a síntese de colagénio e a hidratação cutânea, assim como a elasticidade e a espessura da pele. Com a sua diminuição, observa-se uma redução do colagénio, menor espessura  da derme e epiderme, diminuição da elasticidade e perda de água, traduzindo-se em maior secura, fragilidade e formação de rugas e flacidez. Muitas mulheres descrevem estas mudanças como um "envelhecimento súbito", quando na realidade refletem uma adaptação fisiológica do organismo à redução hormonal.

5. Porque é que muitas mulheres dizem que "de repente envelheceram"?

A sensação de envelhecimento repentino deve-se à conjugação de várias alterações: além da pele mais fina e menos elástica, há mudanças no cabelo, com afinamento e diminuição da densidade, e alterações na distribuição de gordura corporal. Estes efeitos, somados às oscilações hormonais que influenciam o sono, o humor e a energia, fazem com que algumas mulheres percebam mudanças rápidas no seu aspeto e no seu bem-estar, dando a impressão de envelhecimento acelerado em comparação com o envelhecimento gradual aue ocorre ao longo da vida adulta.

6. A perimenopausa afeta apenas a pele ou é uma fase de transformação sistémica?

Na verdade, a perimenopausa é uma fase de transformação sistémica. Além da pele e do cabelo, os efeitos hormonais afetam o sono, o equilíbrio emocional, a função cognitiva, a saúde sexual, o metabolismo, a massa óssea e até a saúde cardiovascular. Por isso, as alterações cutâneas e capilares são apenas uma parte visível de mudanças muito mais amplas que ocorrem no organismo.

7. Que hábitos fazem realmente diferença nesta fase?
Manter hábitos de vida saudáveis é fundamental para minimizar os sintomas e preservar a saúde. Dormir bem, praticar exercício físico regularmente, alimentar-se de forma equilibrada, hidratar a pele e gerir o stress são estratégias eficazes. Estes cuidados não substituem tratamentos clínicos quando necessários, mas contribuem de forma significativa para o bem-estar geral e ajudam o organismo a adaptar-se às mudanças hormonais desta fase.

8. O que diria a uma mulher que começa a sentir mudanças mas não sabe se é "normal"?
Diria que a maioria das alterações que se começam a sentir na perimenopausa é completamente normal, refletindo a transição hormonal que todas as mulheres experienciam. No entanto, isso não significa que tenha de tolerar sintomas incómodos. Procurar orientação médica especializada ajuda a compreender melhor o que se está a passar e a decidir quais as intervenções, sejam mudanças no estilo de vida, cuidados específicos com a pele, ou tratamentos hormonais quando indicados.

9. Que erros vê com mais frequência?
Os erros mais comuns incluem atribuir todos os sintomas apenas ao stress ou à idade e não procurar avaliação médica, subestimar o impacto emocional e físico das alterações e recorrer a suplementos ou produtos cosméticos sem base científica. Ignorar sintomas persistentes ou incapacitantes pode atrasar estratégias eficazes de gestão.

10. Se pudesse deixar três conselhos fundamentais para viver melhor a perimenopausa, quais seriam?
Em primeiro lugar, conhecer bem o próprio corpo e estar atenta às alterações que vai sentindo, para perceber o que é normal e o que requer atenção. Em segundo lugar, adotar hábitos de vida que apoiem o bem-estar de forma holística, incluindo sono, alimentação, exercício, cuidados com a pele e gestão de stress. Por último, procurar orientação profissional sempre que os sintomas afectem de forma significativa a qualidade de vida. Muitas vezes, a combinação de cuidados gerais, terapêutica farmacológica quando indicada e acompanhamento médico regular permite viver esta fase de forma saudável e equilibrada e com qualidade de vida preservada.